Parceria Regional Econômica Abrangente (RCEP): o maior acordo comercial do mundo

Por: Guilherme C Gomes, 08/12/2020

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  • Maior acordo comercial do mundo;

  • Livre-comércio para os países do sudeste asiático;

  • Benefícios indiretos para o Brasil a médio/longo prazo;

    Em 15 de novembro de 2020, foi assinado o “maior acordo comercial do mundo”, a Parceria Regional Econômica Abrangente (Regional Comprehensive Economic Partnership, RCEP, na sigla em inglês). Essa Parceria é um acordo de livre-comércio entre os dez países-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês), Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Brunei, Vietnã, Mianmar, Laos e Camboja, e a Austrália, Coreia do Sul, Japão, Nova Zelândia e China. A Índia chegou a fazer partes das negociações, que duraram quase uma década, mas se retirou em novembro de 2019, por pressões internas.

     Esse acordo começou a ser negociado na 19ª Cúpula da ASEAN, em novembro de 2011, e foi concluído apenas em novembro de 2019, onde os países acordaram a assinatura no ano seguinte, 2020. A Parceira cobre, aproximadamente, 30% da população mundial, 29,3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e 27,4% do volume mundial de comércio. O acordo tem o foco a importância da RCEP para a recuperação econômica e o fortalecimento das trocas comerciais na região, além do estabelecimento de regras de origens comuns, visto a crise pós pandêmica, que muitos países já estão passando.

      A RCEP está baseada em um acordo de livre comércio, que alguns países já possuem, e tem um objetivo principal, a diminuição das tarifas comerciais em importação, em até 90% de forma imediata e nos próximos dez anos. No acordo, há detalhes relacionados a redução de tarifas na agricultura, serviços financeiros, comércio eletrônico e propriedade intelectual. Segundo Peterson Institute for International Economics, nos EUA, estimou-se, em relatório de junho (e com números antes da Covid 19), que o acordo aumentaria o comércio entre os membros em até 428 milhões de dólares em 2030.

      Para alguns especialistas, a consolidação desse acordo requer atenção do Brasil, visto que a China é a maior parceira comercial. Contudo, as trocas comerciais sino brasileiras, a princípio, não devem ser afetadas negativamente, visto que não há concorrência aos produtos brasileiros exportados, como soja, minério de ferro, petróleo, carne bovina, entre outros. Além disso, acreditam que, a longo prazo, é possível que o Brasil se beneficie indiretamente diante do aumento do comércio global. Ainda segundo especialistas, apesar do acordo acontecer do outro lado do mundo, há possíveis benefícios para empresas latino-americanas com presença na Ásia, que podem aproveitar essa grande integração para expandirem seus negócios na região.

   Em suma, como dito, essa Parceria pode movimentar o comércio internacional, primeiramente, na região, e posteriormente, de forma indireta, mundo inteiro, e é de bom proveito ficar atento nessas próximas mudanças e, se for o caso, também se aproveitar delas. Para isso é necessário um bom planejamento estratégico como de uma consultoria internacional, uma análise e estudo aprofundado dos países em questão, para adentrar o mercado internacional com mais segurança e mais assertividade.

Fontes:

https://bit.ly/3n4YRqf

https://bit.ly/37Nccx9

https://bit.ly/3gydmQT

https://bit.ly/3m31jfD