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O novo caso do “Made in Mexico”

     O tão famoso “Made in China” pode ser substituído, no futuro, pelas fabricações mexicanas. Empresas multinacionais americanas estão optando por se instalar em parques industriais mexicanos, deixando de ter sua montagem totalmente em solo chinês. O intuito com essa mudança é a aproximação geografica com o mercado americano, ou seja, substituir o “offshoring” pelo “shoring”.

 

Por que da mudança? 

 

     O “shoring” é uma estratégia de aproximar a produção de uma mercadoria ao mercado consumidor. Antes, para as empresas multinacionais, usar o espaço chinês para sua produção era mais vantajoso. Porém, com a medida econômica do ex-presidente norte-americano, Donald Trump, de colocar uma taxa de 25% nas importações vindas da China, foi necessário achar outro ponto de montagem. Devido a sua proximidade geográfica dos EUA e alta oferta de mão-de-obra barata, o México foi escolhido. 

A Hisun Motors, por exemplo, já se instalou no estado de Coahuila, localizado no norte do país e anunciou um investimento de 105 milhões de dólares na região. Seus veículos já são fabricados no país vizinho e apenas matérias-primas e produtos vêm da Ásia. 

O diretor-geral da Hisun USA no México, Marco Villarreal, afirmou em entrevista à BBC News que a intenção é abastecer a demanda americana e canadenses por meio das fabricações mexicanas. Mesmo com materiais vindos dos EUA e China, espera-se que a produção seja totalmente em solo mexicano no futuro. 

 

Como isso afeta o Brasil?

 

     A expectativa de ter o México como “a nova China” pode preocupar inicialmente os exportadores brasileiros. Afinal, a China é o maior parceiro econômico, tem acordos de cooperação econômica, faz parte do BRICS e é responsável por 27,6% das exportações brasileiras, segundo o BRICS Policy Center. Mesmo o Brasil tendo boas relações diplomáticas e econômicas com o México, a comparação não será a mesma tendo como parâmetro seu principal parceiro econômico. 

Porém, inicialmente, a produção será destinada especialmente aos EUA, no caso da Hisun, EUA e Canadá. Além de que o abastecimento ainda virá de outras regiões, como a Ásia, portanto, as exportações brasileiras de matéria-prima, como minério de ferro, para a China não sofrerão muitos impactos nesse primeiro estágio. 

Com isso, também surge a necessidade de uma Consultoria Internacional para analisar o andamento do novo local de fabricação e a possibilidade de exportações para o México. 

Texto por Fernando Souto em 13/03/2023.

Fontes:

https://bit.ly/3lpst6b

https://bbc.in/3JKSZjQ

https://nyti.ms/3TmYx74

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