

CBDCs em Ascensão: Como Moedas Digitais Estão Redesenhando o Sistema Financeiro Global
O avanço das Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs) ganhou força em 2025. Segundo o Atlantic Council (2025), 137 países (representando 98% do PIB global) estão explorando e desenvolvendo suas próprias moedas digitais. Esse crescimento acelerado indica uma transformação estrutural no sistema financeiro internacional, com impactos diretos sobre pagamentos, comércio exterior e fluxos de capitais.
Nos últimos anos, a digitalização das moedas soberanas deixou de ser um experimento restrito a poucos países e passou a ser prioridade estratégica. Em 2020, apenas 35 países estudavam o tema; hoje, esse número quadruplicou (Atlantic Council, CBDC Tracker). Relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI, 2024) destacam que os debates atuais se concentram em privacidade, interoperabilidade e impactos na política monetária. O Banco de Compensações Internacionais (BIS, 2023) também aponta que mais de 90% dos bancos centrais estão conduzindo pesquisas formais sobre CBDCs.
As consequências desse movimento são amplas. No campo dos pagamentos internacionais, o FMI (2024) afirma que as CBDCs podem reduzir custos, acelerar liquidações e aumentar a eficiência dos sistemas financeiros. No comércio exterior, a possibilidade de liquidações diretas entre moedas digitais pode diminuir a dependência do dólar em determinados fluxos comerciais. A competição tecnológica também se intensifica: China, União Europeia e Brasil avançam em testes, enquanto os Estados Unidos seguem avaliando riscos regulatórios (Reuters, 2024). Paralelamente, surgem debates sobre privacidade e soberania monetária, já que o uso de dados financeiros em CBDCs exige governança robusta e mecanismos de proteção (IMF – CBDC Data Use and Privacy Protection, 2024).
Para empresas e organizações, os impactos são significativos. A redução de custos operacionais em transações internacionais pode beneficiar exportadoras e importadoras. Fintechs, bancos e empresas de tecnologia encontram oportunidades para desenvolver soluções integradas à CBDCr, como carteiras digitais e sistemas de pagamento automatizados. Ao mesmo tempo, mudanças regulatórias exigirão adaptações em compliance, auditoria e gestão de dados. Empresas que se anteciparem a esse cenário poderão ganhar vantagem competitiva em mercados que exigem transações digitais seguras e rastreáveis. Um exemplo prático é o de uma exportadora brasileira que, no futuro, poderá receber pagamentos em CBDC diretamente de parceiros estrangeiros, reduzindo custos cambiais e tempo de liquidação.
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Por Maria Clara Polydoro em 18/12/2025



