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Quando a política antecipa o mercado: a incerteza eleitoral e os riscos precificados para 2026

As eleições exercem impactos econômicos muito antes do momento do voto. Em um cenário de alta sensibilidade do mercado às expectativas, a possibilidade de alternância de poder já é suficiente para provocar movimentos especulativos, volatilidade financeira e revisões estratégicas por parte de empresas e investidores. Em 2025, esse fenômeno tornou-se evidente em diferentes contextos internacionais e nacionais, reforçando a importância de incorporar a variável política às análises econômicas e empresariais.

Organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial vêm destacando que períodos eleitorais ampliam a incerteza política, afetando diretamente fluxos de capitais, decisões de investimento e a percepção de risco-país. Veículos de referência como Reuters, Financial Times e The Economist apontam que o mercado não reage apenas aos resultados eleitorais, mas sobretudo às narrativas econômicas associadas aos candidatos e à viabilidade de mudanças em políticas fiscais, regulatórias e institucionais.

Nos Estados Unidos, embora as eleições de 2025 não sejam presidenciais, disputas em nível estadual e municipal também geraram impactos relevantes. Em Nova York, a ascensão de candidaturas associadas a possíveis mudanças em políticas tributárias, habitacionais e regulatórias despertou preocupações em setores como o financeiro e o imobiliário. Análises da Reuters destacaram que gestores de Wall Street e líderes empresariais passaram a adotar uma postura mais cautelosa, revisando planos de expansão, contratação e alocação de capital diante do risco de alterações no ambiente regulatório local. Esse comportamento reforça que decisões empresariais são influenciadas não apenas por eleições nacionais, mas também por disputas políticas regionais capazes de afetar diretamente a previsibilidade institucional.

Outro exemplo emblemático em 2025 foi a eleição legislativa na Argentina. O resultado favorável ao partido do presidente Javier Milei foi rapidamente precificado pelos mercados. O índice S&P Merval registrou alta próxima de 22% no dia seguinte à votação, o peso argentino se valorizou em torno de 4% frente ao dólar e ações de setores estratégicos, como o financeiro e o de energia, chegaram a subir mais de 30%. Paralelamente, o risco-país apresentou queda significativa, refletindo uma melhora imediata na confiança dos investidores. Antes do pleito, no entanto, o cenário era de forte volatilidade, com desvalorização cambial e cautela no mercado de títulos. Esse movimento evidenciava como a incerteza eleitoral já impactava o ambiente econômico antes mesmo do resultado.

 

Esses ajustes antecipados de expectativa tiveram reflexos concretos no cotidiano empresarial. A redução da percepção de risco facilitou o acesso a financiamento externo, ampliou o apetite por ativos argentinos e abriu espaço para decisões de investimento que vinham sendo adiadas. A própria colocação de dívida internacional pela Argentina, com demanda superior ao volume ofertado, foi interpretada por analistas como um sinal direto da influência do cenário político sobre as condições de financiamento do país.

 

No Brasil, essa lógica de precificação de riscos também se manifesta. Movimentos e anúncios de figuras políticas com um potencial futuro de protagonismo, tem sido suficiente para gerar reações no mercado financeiro. A projeção eleitoral de Eduardo Bolsonaro, por exemplo, foi acompanhada por oscilações no mercado especulativo de ações, conforme noticiado pela imprensa nacional. Ainda que tais movimentos não representem avaliações consolidadas sobre um eventual cenário eleitoral, eles evidenciam como o mercado responde rapidamente a sinais políticos, ajustando expectativas e estratégias antes mesmo do início formal do processo eleitoral.

 

Para as empresas, o impacto dessa dinâmica é direto. A incerteza política influencia o custo de capital, a volatilidade dos ativos, o planejamento de investimentos e a tomada de decisão estratégica. Em contextos eleitorais, é comum observar o adiamento de projetos, a revisão de portfólios e maior cautela na expansão de operações, especialmente em setores sensíveis a políticas públicas e à regulação estatal. Compreender os impactos econômicos das eleições de 2025 torna-se, portanto, um exercício essencial para antecipar movimentos que já começam a ser precificados em 2026. Em um ambiente onde política e economia estão cada vez mais interligadas, a análise consistente e baseada em dados torna-se um diferencial competitivo.

 

É nesse cenário que a atuação analítica da Prisma se mostra fundamental. Nosso trabalho parte da integração entre dados econômicos, análise política e fundamentação acadêmica para oferecer uma compreensão qualificada dos cenários em construção. Mais do que acompanhar eventos isolados, a Prisma dedica-se à leitura de sinais, tendências e narrativas que influenciam o comportamento dos mercados e o ambiente de negócios. Ao transformar informação complexa em inteligência estratégica, nossos serviços auxiliam empresas a antecipar riscos, identificar oportunidades e tomar decisões mais seguras em contextos de incerteza.

Por Daniel Marangon Farias em 18/12/2025

Refêrencias

BANCO MUNDIAL. Global Economic Prospects. Washington, DC: World Bank, 2024–2025.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL (FMI). World Economic Outlook e External Sector Report. Washington, DC, 2024–2025.

REUTERS. Argentina braces for market turbulence as midterm elections loom. Reuters, 2025.
REUTERS. Argentine markets rally after election results. Reuters, 2025.
REUTERS. Wall Street reacts to political shifts in New York. Reuters, 2025.

FINANCIAL TIMES. Political uncertainty and market volatility in election years. Financial Times, 2024–2025.

CNN BRASIL. Peso sobe e bolsa argentina dispara após eleições legislativas. CNN Brasil, 2025.

UOL ECONOMIA. Movimentos políticos e impactos no mercado de ações brasileiro. UOL, 2025.

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