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A mina de ouro moderna, América Latina

A América Latina vive um momento particularmente relevante em sua inserção global, marcado pela convergência entre economia, turismo e cultura. Esses campos, que historicamente foram analisados de forma separada, passam hoje a se retroalimentar de maneira estratégica. O crescimento do turismo internacional, a capacidade crescente de atrair eventos, negócios e investimentos e a valorização da produção cultural latino-americana mostram que a identidade regional deixou de ser apenas expressão simbólica e passou a funcionar também como ativo econômico e diplomático, frequentemente associado ao conceito de soft power.

No Brasil, essa dinâmica se evidencia de forma concreta no turismo. Em abril de 2025, turistas estrangeiros injetaram aproximadamente R$4 bilhões na economia nacional, valor recorde para o período desde 1995 e cerca de 29% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do primeiro quadrimestre daquele ano, a receita turística internacional chegou a cerca de US$3 bilhões, consolidando o setor como importante fonte de entrada de divisas. Esse movimento acompanha uma tendência regional mais ampla: projeções indicam que, até 2034, o turismo poderá movimentar aproximadamente US$616 bilhões na economia latino-americana e sustentar mais de 25 milhões de empregos, o que reforça o papel estrutural do setor no desenvolvimento econômico regional.

Esse crescimento não se restringe ao turismo de lazer. O turismo de negócios e eventos também ganha relevância estratégica. O Brasil avançou de forma expressiva no ranking internacional da ICCA, alcançando a 15ª posição global e consolidando-se como um dos principais destinos das Américas para eventos internacionais. Esse dado tem impactos diretos na economia, pois eventos corporativos e científicos costumam gerar maior gasto médio por visitante, estimular cadeias produtivas locais, fortalecer redes comerciais e ampliar a circulação de conhecimento e inovação. Internamente, indicadores como o Índice de Atividades Turísticas mostram que o setor já supera os níveis pré-pandemia, evidenciando recuperação consistente e expansão estrutural. Nesse cenário, a cultura emerge como elemento catalisador desse crescimento. Mais do que uma dimensão simbólica, ela passa a constituir infraestrutura econômica: produz desejo, gera circulação, atrai investimentos e fortalece a reputação internacional da região. A crescente valorização da identidade latino-americana, na música, no cinema, na moda, na gastronomia e no entretenimento, amplia o interesse global pela região e cria novas oportunidades para negócios, turismo e economia criativa.

O chamado “efeito Bad Bunny” ilustra bem esse fenômeno. A projeção global do artista porto-riquenho, amplificada por grandes eventos midiáticos e plataformas digitais, contribuiu para aumentar significativamente o interesse turístico por Porto Rico. Dados de mercado indicaram crescimento superior a 200% nas reservas de atividades turísticas na ilha após a intensificação de sua visibilidade internacional. Esse movimento demonstra como a cultura pode atuar diretamente como vetor econômico: música e identidade cultural tornam-se ferramentas de marketing territorial, estimulando fluxos turísticos, consumo cultural e investimentos em serviços ligados à hospitalidade, entretenimento e economia criativa.

O Brasil também participa desse processo por meio do audiovisual. O reconhecimento internacional recente de artistas brasileiros, como Fernanda Torres e Wagner Moura, aliado ao destaque de produções nacionais em premiações globais, amplia a visibilidade do país e fortalece sua imagem cultural. Premiações internacionais não apenas conferem legitimidade artística, mas também geram efeitos econômicos concretos: aumento do interesse por locações turísticas, expansão da exportação de conteúdos audiovisuais, crescimento de coproduções internacionais e fortalecimento da indústria criativa nacional. Esses movimentos revelam impactos econômicos que vão além do turismo direto. A visibilidade cultural estimula exportações de bens simbólicos, fortalece marcas nacionais, impulsiona setores como moda, gastronomia, entretenimento digital e educação internacional, além de atrair investimentos estrangeiros interessados em mercados emergentes culturalmente dinâmicos. Há também efeitos indiretos relevantes, como geração de empregos qualificados, desenvolvimento urbano orientado ao turismo e maior circulação de capital humano e conhecimento.

Assim, o destaque atual da América Latina não decorre apenas do crescimento de indicadores econômicos tradicionais, mas da capacidade crescente da região de transformar identidade cultural em valor econômico, reputacional e geopolítico. Cultura, turismo e economia passam a integrar um mesmo movimento de projeção internacional, no qual visibilidade simbólica gera circulação econômica e esta, por sua vez, retroalimenta a produção cultural e a inserção global da região. 

Nesse contexto, iniciativas como a Prisma Jr., empresa júnior brasileira de Relações Internacionais, podem desempenhar um papel estratégico. Ao conectar conhecimento acadêmico, análise de mercado e visão internacional, a Prisma contribui para que empresas brasileiras e latino-americanas aproveitem esse momento de visibilidade e expansão. Seja por meio de estudos de internacionalização, inteligência cultural, análise de mercados ou apoio à inserção global de marcas e projetos, a atuação de uma EJ especializada em RI pode facilitar pontes entre negócios, cultura e economia. Assim, além de formar profissionais preparados para esse novo cenário internacional, a Prisma também se posiciona como agente ativo na construção dessa América Latina mais integrada, visível e competitiva no mundo.

Por Daniel Marangon Farias em 25/02/2026

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