ENTRE EM CONTATO

  Rua Monte Alegre, 984 - São Paulo, SP - Brasil

  • LinkedIn
  • Facebook
  • Instagram

Mercado caloroso: cafés especiais brasileiros em uma perspectiva internacional

Por Victor Melo 23/06/2017

  • O crescente mercado mundial dos cafés especiais brasileiros;

  • Grãos especiais e consumo nacional;

  • Mercados internacionais para os produtores brasileiros;

  • Produtos especiais brasileiros prezam pela qualidade e por isso são tão procurados lá fora.

     Ano após ano, o mercado mundial de cafés especiais prolifera-se exponencialmente e as previsões de manutenção desta crescente são animadoras. De acordo com dados levantados pela Apex-Brasil, (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) em março de 2017, os cafés gourmetizados, de modo geral, têm ganhado destaque em termos de aumento de consumo em todo o mundo. Enquanto a taxa de crescimento anual de consumo do café normal está em torno de 2%, a do café especial é de 15%.

     Do ponto de vista nacional, o ramo de cafés especiais também se mostra muito próspero. O Brasil é responsável por um terço do café produzido no mundo, e boa parte dos grãos de qualidade são consumidos no mercado interno graças ao aumento da demanda do consumidor brasileiro. Segundo pesquisa realizada em 2016 pela BSCA, em menos de dois anos a produção nacional ultrapassará a da Colômbia, nação que até o momento está no topo da produção de grãos gourmet. O cenário otimista no setor tem estimulado a migração de cafeicultores tradicionais para esse nicho promissor em que grãos chegam a ser vendidos a preços muito altos.

 

    Alguns mercados internacionais já despontam como sendo vitais no que diz respeito à importação dos grãos especiais brasileiros. Recentemente, seis empresas nacionais participaram da feira EuroGastro, a mais importante feira para o setor de hotelaria, restaurantes e café da Polônia, concretizando inúmeros negócios, que trouxeram um retorno de meio milhão de dólares o evento. De acordo com outra pesquisa feita pela BSCA (Brazil Specialty Coffee Association), em abril de 2016, o consumo de café no mercado polonês está crescendo muito e empresas que forem para lá neste momento conseguirão fazer bons negócios. Além disso, a Austrália e a Coreia do Sul são nações que têm o Brasil como principal fornecedor de café especial já há alguns anos e adquirem anualmente milhões de dólares do produto.

     A China também se mostra como um mercado promissor para os cafés especiais brasileiros: em 2017, as 14 empresas brasileiras que participaram da Hotelex Shanghai Expo Finefoods, maior feira do setor de hotelaria e food service da China, movimentaram US$ 2,025 milhões em negócios com os chineses e estimam mais US$ 22,435 milhões nos próximos 12 meses, segundo a BSCA. Mesmo sendo um país que ainda não possui uma grande tradição cafeeira, os chineses estão consumindo cada vez mais os cafés especiais brasileiros e importam mais a cada ano.

 

     ​O produto brasileiro carrega toda uma história de sucesso no mundo. Um setor que gera riqueza para as famílias produtoras, desde as pequenas e médias propriedades até as grandes fazendas. Nessa commoditie, o Brasil é o maior fabricante e exportador, e o segundo maior consumidor. Além disso, não é novidade que o Brasil produza cafés diferenciados por sua qualidade e pela sustentabilidade na produção. Devido à diversidade de regiões ocupadas pela cultura do café (diferentes climas, terrenos e produções), o país produz tipos variados desse produto, fato que possibilita atender às diferentes demandas mundiais, referentes à paladar e preços.

 

     Segundo especialistas da BSCA, os cafés naturais brasileiros já são um sucesso internacional por sua doçura e seu corpo. Os cafés lavados/despolpados também têm atingido níveis de acidez muito interessantes, chegando a substituir os cafés suaves de nossos concorrentes. Não à toa, os grãos nacionais, de ótima qualidade e  tipos diferentes, são recebidos muito bem por diversos países, satisfazendo gostos diferentes. Com uma produção que agrada a uma grande demanda mundial, a internacionalização dos cafés especiais brasileiros se apresenta como uma prática comercial que promete render importante lucratividade para produtores nacionais.