

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil é hoje o segundo maior exportador mundial de commodities do agronegócio, perdendo apenas para os Estados Unidos, que fecharam 2025 apenas US$ 2 bilhões a frente do Brasil no ranking dos maiores exportadores agrícolas do mundo. Entretanto, apesar de sua posição de liderança neste ramo, boa parte do que se exporta chega ao consumidor final sem qualquer menção à origem brasileira, ou seja, exportamos commodities sem rosto, sem marca, sem identidade e sem contar a própria história.
O caso do café é um ótimo exemplo para este cenário: mesmo sendo líder global na produção, ainda perdemos um grande valor ao vender grande parte de nossa produção sem identidade de origem. E é exatamente nesse processo que aquilo que sai do Brasil como matéria-prima, é processado, embalado e etiquetado em outro país, ganhando o selo de “made in” enquanto o Brasil fica para trás nessa disputa.
Esse movimento, apesar de pequeno, já vem tomando espaço na indústria brasileira. O selo Brazil Agro (Good for Nature) é uma iniciativa oficial do Ministério da Agricultura que busca associar produtos do agro brasileiro à sua origem, a padrões de qualidade, sustentabilidade e conformidade internacional. Outro exemplo é o case da empresa brasileira Açaí Fresh, que exporta para Estados Unidos, Canadá, Portugal e Austrália. A empresa usa o açaí, reconhecido como símbolo nacional, como principal apelo de marketing internacional, apostando em posicionamentos de conexão com a Amazônia, com a origem e com a tradição.
Tudo isso se deve ao fato de que em certos contextos, o simples fato de um alimento vir do Brasil já sinaliza uma boa procedência e qualidade ao consumidor estrangeiro, o que indica que a marca “Brasil” já tem força e precisa apenas ser explorada. Além disso, o Brasil vive um momento raro de "soft power" em diversos segmentos, ou seja, ao invés de influenciar o mundo por meio de coerção ou pagamentos, utiliza recursos culturais, valores ideológicos, políticas externas e a projeção de uma imagem positiva para isso. No cinema brasileiro, estamos em alta nas premiações internacionais com o filme "O Agente Secreto" que chegou ao Oscar 2026 com indicações em cinco categorias, consolidando dois anos seguidos de campanhas e vitórias depois de "Ainda Estou Aqui" em 2025; no ramo de tendências da moda, o fenômeno "Brazilian Core" termo registrado pela BBC, vem tomando cada vez mais força com a popularização da camisa da seleção, Havaianas e estética tropical, que ganhou ainda mais força nessa Copa do Mundo de 2026. Entretanto, enquanto moda, música e cinema brasileiros conseguiram transformar "brasilidade" em ativo de marca global, o agro ainda é estruturado majoritariamente como fornecedor de matéria-prima anônima.
É nesse ponto que entra o Marketing Internacional: transformar uma commodity em marca exige adaptação de produto, posicionamento, precificação e uma comunicação que conte essa história de origem para o consumidor certo, no país certo. Na Prisma, ajudamos empresas exportadoras a estruturar exatamente esse caminho da análise de mercado e do macroambiente do país-alvo até a criação de campanhas de comunicação localizadas, para que "vir do Brasil" deixe de ser um detalhe e passe a ser um diferencial competitivo real lá fora.
Por: Carolina Melian Endo em 23/08/2026
