Água de Coco: do litoral brasileiro para o mundo

Por: Karol Colby, 05/11/2020

  • Benefícios da exportação da água de coco

  • Tendências no mercado internacional

  • Brasil, o líder nas exportações, detém vantagens no mercado

    O coqueiro, originário da Ásia, foi trazido ao Brasil pelos portugueses e desde então, tornou-se uma identidade visual do litoral brasileiro e um ingrediente costumeiro da culinária do país. O líquido presente no interno da fruta, ou água de coco, como é mais conhecido, recentemente tem conquistado os mercados internacionais, pois, além de deliciosa, também é extremamente hidratante, com baixas calorias, rica em vitaminas e antioxidantes e uma ótima alternativa natural aos isotônicos no mercado.

    De acordo com dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), apesar do Brasil estar em quarto lugar no cultivo de coco verde, depois que as empresas brasileiras que, antigamente trabalhavam com o leite ou coco ralado, passaram a comercializar sua água também, o país virou o maior produtor de água de coco do mundo. De acordo Roberto Lessa, CEO da fabricante da água de coco “Obrigado”, terceira no mercado nacional, sua marca vendeu mais no exterior do que no Brasil. Ele estima que até 2025, perto de 75% da produção brasileira será vendida para o exterior. 

   A ONU ainda aponta que a Ásia, maior cultivadora mundial da fruta, recentemente tem diminuído sua produção devido a idade de seus coqueiros. Enquanto o ápice da idade das árvores é entre os 10 e 30 anos, a maior parte dos coqueiros plantados em solo asiático tem em média 50 anos, logo o Brasil tende a tomar mais um espaço nesse mercado, já que os coqueiros presentes na região nordestina são jovens. 

    A produção brasileira, de quase dois bilhões de unidades por ano, está majoritariamente concentrada no Nordeste do país. Segundo dados do Grupo Coco do Vale, existem 57.000 hectares de coqueiros plantados no país, da variedade anã, destinados à água de coco. Apesar disso, a exportação do Brasil ainda é  pequena, vendendo em média, menos de 10 milhões de dólares por ano, especialmente para Estados Unidos e Canadá. 

    A empresa de pesquisa de mercado “Technavio”, espera que o mercado da água de coco se expanda para mais de 7 bilhões de dólares em 2021, crescendo 350% dos últimos 5 anos. Outra empresa de atuação semelhante, a “Arizton Advisory & Intelligence” estima que em 2023, o mercado vai ultrapassar 8,3 bilhões de dólares.

    Países europeus que ainda tem um consumo menor comparado à América do Sul e Ásia, ainda assim são mercados extremamente interessantes para se exportar , já que há uma procura por alimentos mais saudáveis desde que as bebidas açucaradas têm sofrido taxas adicionais no Reino Unido, Noruega, Irlanda e França. O “sugar tax” forçará o Brasil a depender de alternativas menos açucaradas para se manter forte no mercado. 

    Em suma, a água de coco faz parte da identidade brasileira e apesar do seu interesse internacional ser relativamente novo, há uma demanda crescente no exterior. O mercado da água de coco é um grande negócio, além de lucrativo, o Brasil conta com recursos abundantes em quantidade e qualidade dos coqueiros para suprir essa demanda. Conhecendo em detalhes o mercado e o consumidor com o qual trabalha, além de um bom planejamento estratégico e um auxílio nas decisões, torna o processo de exportação superior e intensifica as chances de sucesso no mercado exterior.

   

Fontes:

https://bit.ly/3l6ZbUu

https://glo.bo/356px3k

https://bit.ly/2U3W3N8

https://bit.ly/36eHDzl