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A crise no Cazaquistão afeta o comércio internacional brasileiro?

      A República do Cazaquistão, localizada na Ásia Central, está entre os dez maiores países do mundo e divide fronteiras com potências como a Rússia e a China. Ela também ocupa seu lugar entre os territórios com maior abundância de recursos minerais e reservas de combustíveis fósseis, tendo a 12° maior reserva de petróleo existente ― segundo dados do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). Tendo isso em vista, pode-se afirmar que a economia do país tem como principal base tais reservas, assim como sua influência ao redor da Ásia se sustenta principalmente por meio delas.

 

O avanço da crise política cazaque

 

      Em meio a essas condições, o país é governado desde 2019 por Kassym-Jomart Tokayev, sucessor indicado pelo ex-presidente Nursultan Nazarbayev, que estava no poder desde 1990 através de reeleições muito criticadas por suas sérias irregularidades. Essa e outras questões, como a alta inflação, a desigualdade social e a limitada liberdade civil fizeram crescer um grande sentimento de insatisfação na população, então quando o governo anunciou o aumento do teto de preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado como combustível nos automóveis do país, isso se consolidou como o estopim para uma onda de protestos nas primeiras semanas de 2022.

      Em resposta, o governo cazaque acusou os manifestantes de terroristas, anunciou estado de emergência em todo o país e pediu ajuda para a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), aliança militar na qual faz parte. Com isso, a Rússia, um dos membros integrantes, enviou tropas para a região e, junto à polícia local, começaram a conter duramente a revolta, resultando em 225 mortos e mais de 4500 feridos, segundo a Agência EFE. Por fim, Tokayev prometeu diminuir o preço do gás, demitiu funcionários alinhados a Nazarbayev e outros vários membros do governo renunciaram, movimentando o país gradualmente à normalidade nas ruas.

 

O quanto essa crise pode afetar o Brasil?

 

      Mesmo após essa agitação que chamou a atenção da mídia internacional, pode-se dizer que as relações internacionais brasileiras, principalmente no âmbito comercial, permaneceram inalteradas. Isso porque apesar de ter boas relações diplomáticas e importar US$140 milhões ― em minérios, como o enxofre ― do Cazaquistão, esse fluxo ocupa apenas 0,06% das importações brasileiras, de acordo com dados de 2021 da ComexStat. Da mesma forma, as exportações para o país, que se baseiam em máquinas e produtos agropecuários, movimentam cerca de US$12 milhões, sendo uma pequena porção do total exportado pelo Brasil. Sendo assim, não há uma expressiva interdependência entre os países, o que fez com que não houvesse um impacto direto no comércio internacional brasileiro perante a crise no Cazaquistão.

 

O envolvimento de outros parceiros comerciais na crise 

 

      Todavia, é importante ressaltar que importantes parceiros comerciais do Brasil se envolveram ou foram impactados por esse acontecimento, o que dá margem para considerar algum impacto indireto ao país. Em primeiro lugar, a Rússia, que movimenta cerca de US$7 bilhões em trocas comerciais com o Brasil, esteve presente através de suas tropas na contenção dos protestos e é uma aliada de longa data do Cazaquistão, visto que ambas fizeram parte da dissolvida União Soviética.

 

      Essa intervenção na crise foi vista de forma negativa pelos Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial brasileiro, considerando que, assim como faz em regiões como a Ucrânia, o governo russo não hesita em posicionar tropas em territórios ex-soviéticos para afirmar sua influência militar na região e, como argumenta as autoridades norte-americanas, isso se consolida como um processo de gradual invasão russa. Em contraste, a China, principal parceira comercial do Brasil, apoiou a atuação russa, visto que ela precisa do Cazaquistão estável por depender de boa parte do gás natural cazaque e por ter a região como essencial para seu projeto de transporte e infraestrutura conhecido como a Nova Rota da Seda, que objetiva conectar a Europa, o Oriente Médio, a Ásia e a África. 

 

A importância da consultoria internacional na inserção em mercados estrangeiros

 

      Em meio a esse complexo contexto internacional, o governo brasileiro permanece neutro, o que ainda não implica impactos expressivos ao país, mas não há dúvidas que, visto o envolvimento de outros parceiros brasileiros no avanço da crise política no Cazaquistão, é importante sempre se atentar a essa e outras conjunturas sociopolíticas ao redor do mundo para se consolidar no comércio internacional. Sendo assim, para os negócios que querem se inserir em mercados estrangeiros, é imprescindível uma pesquisa aprofundada e atualizada acerca dos mesmos, como uma Análise de Mercado ou mesmo uma Atualização de Mercado, serviços fornecidos pela Prisma Consultoria Internacional.

 

 

Por Mariana Fernandes em 19/01/2021

 

Fontes:

https://bit.ly/3255ELr 

https://bit.ly/3A2YMdS 

https://bit.ly/3KfLjUW 

https://bit.ly/3GC73bc 

https://bit.ly/3tvFsVB 

https://bit.ly/3Ie4BbA