
Restrições e Tarifas: Como a Disputa por Minerais Críticos entre China e Estados Unidos Reconfigura o Comércio Mundial
O cenário geopolítico global foi marcado nas últimas semanas por uma significativa escalada na tensão comercial entre Estados Unidos e China. O governo chinês anunciou, no dia 9 de outubro, um endurecimento no controle de exportações de terras raras, minerais essenciais para a produção de tecnologias de ponta. Como resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas adicionais de 100% sobre as importações chinesas, que devem entrar em vigor em 1º de novembro deste ano.
As terras raras são um grupo de elementos químicos com características magnéticas e ópticas únicas, que são essenciais para o desenvolvimento tecnológico moderno e para a transição energética. Elas são muito utilizadas para fabricar ímãs super potentes, usados em carros elétricos e usinas eólicas, e para produzir itens como chips, motores elétricos, baterias e telas de LED. Embora sejam chamados de "raros", a maioria deles é relativamente abundante na crosta terrestre; essa atribuição se deve ao fato de serem extremamente difíceis e caros de extrair, separar e refinar.
Em função de sua importância para a fabricação de alta tecnologia, a procura por esses elementos vem crescendo exponencialmente. Segundo dados do USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) e da IEA (Agência Internacional de Energia), a China domina entre 80% e 90% do processamento global de terras raras, o que confere bastante poder a Pequim. Essa dependência gerou um incômodo profundo nos EUA, de forma que o Pentágono, logo após a declaração da medida, passou a planejar a compra de até US$ 1bilhão em minérios críticos, de acordo com o Financial Times, com base em documentos públicos da Agência de Logística de Defesa (DLA).
Apesar do domínio chinês no processamento global de terras raras, o Brasil também exerce um papel fundamental nessa corrida. De acordo com o USGS, o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas investe pouco na produção e no refino atualmente. Isso coloca o Brasil em uma posição de interesse estratégico para países como os Estados Unidos, que buscam diversificar suas fontes e investir em novas infraestruturas para a produção de tecnologia de ponta.
Essa escalada de tensões, decorrente das restrições chinesas de terras raras e da tarifa de 100% dos EUA, representa um aumento nos riscos da cadeia de suprimentos e uma possível instabilidade de custos para empresas globais. O impacto não se restringe à mineração, mas atinge também indústrias de alta tecnologia, automotiva e de eletrônicos, que dependem de componentes chineses e que, no momento, podem enfrentar maiores custos e atrasos. No entanto, esse cenário também pode gerar oportunidades, ao incentivar investidores e governos ocidentais a direcionar capital para a diversificação de fontes, transformando nações com reservas como o Brasil em novos destinos para investimentos.
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Por Sofia Carelli em 18/10/2025
Fontes:
https://investnews.com.br/economia/pentagono-planeja-comprar-us-1-bilhao-em-minerais-criticos-diz-jornal/amp/
https://www.iea.org/reports/global-critical-minerals-outlook-2025/executive-summary



