
Diplomacia Econômica: Como países usam suas empresas como ferramentas
de influência
Na economia global de hoje, empresas são mais do que agentes de mercado, são instrumentos de poder. Governos as utilizam para abrir caminhos diplomáticos, proteger cadeias produtivas e ampliar influência geopolítica. Entender essa diplomacia económica é essencial para quem busca internacionalizar-se com segurança e estratégia.
O conceito de diplomacia econômica ganhou força à medida que os Estados começaram a mobilizar não apenas acordos formais, mas também suas empresas e instrumentos financeiros como vetores de influência global. As empresas estatais, ou SOEs, do inglês state-owned enterprise, e os “businesses of the state”, companhias com pelo menos 10% de participação estatal, já respondem por até 17% do PIB, em média, nos 91 países estudados pelo World Bank. Em paralelo, em 2018, as SOEs somavam aproximadamente US 45 trilhões em ativos, equivalente a cerca de metade do PIB global, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). No Brasil, dados do Ministério da gestão e da inovação em serviços públicos apontam crescimento constante da participação de empresas estatais na economia, chegando a 5,4% do PIB nacional. Esses mecanismos, via empresas estatais, investimentos públicos externos, “campeões nacionais” e parcerias público-privadas, tornaram-se parte integrante da diplomacia contemporânea dos países que querem expandir seu poder econômico e político.
Em países como a China, a “diplomacia econômica” fica visível quando empresas estatais ou apoiadas pelo Estado investem no exterior com objetivos que vão além do simples lucro, estudos mostram que o investimento externo direto (IED) por essas empresas seguem diretrizes políticas, como reconhecimento diplomático ou alinhamento em fóruns internacionais. No Brasil, por sua vez, embora a lógica estatal seja menos estratégica-explícita, há casos em que gigantes como Petrobras e Eletrobras acabam tendo papel externo que reflete não só mercado mas também imagem nacional, o relatório da OECD identifica que as empresas estatais brasileiras devem reforçar sua governança justamente em função dessa dupla função. Por fim, é relevante observar que essas dinâmicas influenciam diretamente empresas brasileiras que atuam ou querem atuar internacionalmente, seja por competitividade, tendo de enfrentar SOEs estrangeiras com apoio estatal, ou por oportunidade, conseguindo parcerias ou fornecimento em cadeias onde o Estado estrangeiro privilegia as suas “campeãs nacionais”.
Para uma empresa brasileira, isso significa: ao competir ou cooperar em mercados onde Estados-nação mobilizam empresas para influenciar normas, cadeias ou mesmo infraestrutura, é preciso mapear não apenas concorrentes diretos, mas o contexto geopolítico. Em outros termos: se um governo estrangeiro escolhe uma empresa sua para abrir porto, ferrovia ou hub logístico, talvez seja parte de uma estratégia de projeção, e sua empresa poderá ser convidada para participar, ou excluída, conforme essa lógica.
Entender a diplomacia económica não é apenas acompanhar as decisões de governos, mas compreender como elas moldam o ambiente de negócios global. Cada movimento diplomático, cada investimento estatal e cada acordo comercial redefinem rotas, prioridades e oportunidades para as empresas brasileiras que desejam expandir-se.
Na Prisma Consultoria Internacional atuamos justamente nesse ponto de interseção entre política e mercado. Por meio de análises de cenário, estudos de internacionalização e mapeamento de riscos e oportunidades, ajudamos organizações a compreender o impacto das relações internacionais em seus planos de crescimento. Traduzimos fenômenos complexos, como a diplomacia econômica, em estratégias práticas de entrada, posicionamento e competitividade em novos mercados.
Por João Pedro Palermo Côrte Real em 01/11/2025
Fontes:
https://www.imf.org/-/media/Files/Publications/fiscal-monitor/2020/April/English/ch3.ashx
https://www.fdiintelligence.com/content/e476c6c9-9cbd-59e9-b65f-106464779b96 fDi Intelligence
Chinese Power and the State-Owned Enterprise | International Organization | Cambridge Core



