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A natureza da objetificação do “sexo frágil”

     Há mais semelhanças entre homens e mulheres do que se imagina, e a pequena margem que os diferencia é frequentemente transfigurada em forma de estereótipos. Antes mesmo das crianças virem ao mundo,  já recebem múltiplos estímulos socializantes. Estímulos esses que são passados também, mas não só, pelos pais e que irão exercer uma grande influência em seus futuros, na sua maneira de agir e nas profissões que poderão escolher. A expectativa social que se tem dos meninos é que se tornem varões responsáveis por perpetuar o legado patriarcal e por construir um caminho autônomo, ao contrário das meninas que são ensinadas a definir suas vidas em função de outrem, à parte das atividades econômicas e do espírito ambicioso reservado aos meninos. Em contrapartida, todo e qualquer comportamento tido como “afeminado” é negado naquele que foi criado para ser dominante, o masculino. As  estruturas sociais estão frequentemente alimentando a noção de que o masculino deve se opor ao feminino, dualismo artificial e aprisionante que é o berço do machismo e, também, de outros tipos de opressão.

 

     Nessa esteira, a objetificação daqueles que são subjetivados a se definirem em função de outrem se manifesta em nossa cultura e, consequentemente, em nossas atitudes; ela consiste, como o próprio nome sugere, em tratar tais indivíduos como objetos, num nível em que não se considera mais seu estado emocional ou fatores psicológicos. Este fenômeno é alimentado pela grande mídia, e está presente também na pornografia, por exemplo. Segundo um estudo realizado na Universidade de Alberta no Canadá, 1 em cada 3 meninos, na faixa dos 13 anos, vê pornografia. 90% dos jovens do sexo masculino e 70% das meninas disseram ter acessado conteúdo pornográfico pelo menos uma vez. [8] A maioria delas, porém, disse “quase nunca” ter acesso ao conteúdo - ao contrário dos garotos, que veem de duas a três vezes por semana. [1] Isto ocorre porque a pornografia se tornou o primeiro contato dos jovens com relação à sexualidade, algo que se torna ainda mais agravante na ausência de disciplinas que abordem este tema. Os filmes pornográficos passam uma ideia nada saudável sobre como as relações acontecem. Neles, a mulher é apresentada - literalmente - como um objeto para satisfazer ao homem. Esse meio exploratório, viciante e humilhante da mídia tende a denegrir a imagem da mulher na sociedade, alimentando estereótipos de gênero e raça e afirmando práticas discriminatórias.

 

     Entretanto, ao analisar a objetificação, assim como qualquer outro mecanismo de opressão à mulher, é preciso situá-la em seu campo social, em relação a demais recortes e esferas sociais, como os de raça e classe. Sem sombra de dúvida, mesmo dentro de um núcleo exclusivamente feminino, não há igualdade de condição, uma vez que mulheres negras, assim como suas pares brancas, são vítimas não só de opressão de gênero, mas também  de opressão racial.

 

     Outro aspecto da objetivação é a propagação social de um ideal de beleza, que capta a atenção do público e faz com que as mulheres tendam a se sentir inseguras com seus corpos e ameaçadas por arquétipos exibidos nos telões. As meninas, que crescem vendo como aquele ideal é valorizado na sociedade, sonham em ser como ele - condição estimada como necessária à aceitação social e de si mesma. O ideal imposto de um corpo padrão coloca sua autoestima à prova e, portanto, afeta sua relação consigo mesma, chegando a acarretar, em casos extremos, problemas psicológicos como depressão, transtornos alimentares e dificuldades de aprendizado.

 

     A universidade, por exemplo, é o momento em que os jovens começam a aprofundar seu senso crítico, suas próprias reflexões e a sua vida social. Acontece que as interações sociais nesses meios acabam sendo, muitas vezes, extremamente negativas para as mulheres por reforçar papéis de gêneros que as legam ao papel de objeto, excluindo sua condição de sujeitos. A faculdade, que deveria ser um período de construção e de solidificação do indivíduo, acaba sendo fatigante. Tal peso segue com as mulheres até no momento em que se inserem no mercado de trabalho: embora sejam devidamente instruídas e tenham uma bagagem intelectual, correm o risco da exposição vinda dos seus próprios colegas de trabalho, pelas suas vestimentas, pelos seus cabelos, corpos e inclusive pela sua etnia.

 

     Além dessas interações sociais negativas, há uma significativa falta da presença feminina no âmbito acadêmico. As mulheres são maioria e vistas com prestígio na esfera do ensino básico, momento em que sua suposta sensibilidade inata é muito bem vinda. Elas compunham até 80% dos responsáveis por essa rede de ensino, de acordo com dados de 2010 - a última pesquisa do Ministério da Educação que tratou desse tema. Nas creches, as figuras femininas somam 97,9% das vagas de professoras. Entretanto, essa realidade não é a mesma no ensino superior [2]: apesar de a maioria das estudantes de ensino superior no Brasil serem do sexo feminino [3], apenas 45% das professoras dessa esfera são mulheres. [4] Esses cursos, portanto, são majoritariamente ministrados por professores homens, e as bibliografias básicas de seus cursos abordam poucos textos escritos por mulheres.

 

     Essa falta de reconhecimento das habilidades femininas claramente as prejudica em sua carreira profissional. Entre gêneros que ocupam a mesma posição, a diferença salarial é grande, e o número de posições de chefia comandadas por mulheres denunciam isso. O relatório “Progresso das Mulheres no Mundo 2015-2016: Transformar as Economias para realizar os direitos” mostra que no mundo, em média, o salário das mulheres é 24% inferior ao dos homens nos mesmos tipos de trabalho. Além do mais, essas mulheres ainda são responsáveis por uma carga excessiva de trabalho doméstico não remunerado - duas vezes mais que um indivíduo do sexo masculino. [5] Essa comparação simples indica que os homens ganham 10% a mais que as mulheres. Já se os indivíduos comparados tiverem a mesma idade e mesmo grau de instrução, essa diferença aumenta para 17%. No Brasil, essa situação é ainda pior: a disparidade salarial chega a 30%. Em geral, os homens ganham mais do que as mulheres em todas as faixas de idade, níveis de instrução, tipo de emprego ou empresa. [6] E quanto às posições de chefia, apenas 37% delas estão em mãos femininas no Brasil. [7] A coordenadora doNúcleo de Gênero do MTPS (Ministério do Trabalho e Previdência Social), Rosane da Silva, resume a situação: "Os estudos apontam que as mulheres têm mais escolaridade que os homens, mas isso não tem sido determinante para que ela possa entrar em setores mais qualificados e, mesmo ela estando nesses setores, ela recebe menos e não é valorizado o seu grau de instrução". [8]

 

    Encontramos uma situação ainda mais agravante se considerarmos a questão racial. Segundo pesquisas feitas em 2013 pelo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), disponibilizados pela FIPE/USP, dentro dos setores de serviços, as mulheres negras recebem um salário 45% inferior se comparados às suas colegas brancas. Na indústria e no comércio, a diferença chega a 28% e 17%, respectivamente.

 

     O mercado de trabalho é apenas um reflexo dessas atitudes expostas em sociedade: a desvalorização da mulher pelo seu potencial como indivíduo crítico e atuante na sociedade, sendo tratada apenas um objeto de beleza ideal a ser buscada, se perpassa por diversas outras esferas – acadêmica, amorosa, religiosa etc.. Não obstante, nem tudo são más notícias: há milhares de iniciativas ao redor do globo que buscam maior equidade de gênero no mercado de trabalho, como a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, em Portugal, e o African Women’s Development Fund, na África, que além de promover políticas que ajudam a construir em uma sociedade mais igualitária, também pretendem mostrar ao mundo que essa inclusão das mulheres não é um problema exclusivamente feminino, e também melhora a qualidade de serviços e o funcionamento de uma empresa.

 

   A Prisma Consultoria Internacional é uma empresa-júnior que despreza com veemência atitudes machistas e preconceituosas e que acentue a disparidade de gênero em qualquer esfera . Em nossa atual gestão, temos quatro diretoras mulheres que, por meio de suas próprias lutas, são as principais engrenagens responsáveis em fazer a empresa funcionar do jeito que conhecemos – e devemos muito à elas. Sendo assim, repudiamos fortemente a opressão de gênero, assim como qualquer outro tipo de opressão. Trabalhamos não só para borrar fronteiras entre países, mas também para fazê-lo entre gêneros.

 

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