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A reinvenção do chá

Rodrigo Zilio - 21/09/2018

  • História e ascensão do chá no mercado internacional;

  • Versatilidade e resiliência do chá;

  • O chá verde e o aumento nas exportações;

  • Principais exportadores e o caso Uruguaio;

  • Principais importadores.

 Foi-se a época da política cafeeira de Vargas. A década de 30, marcada pelas imensas remessas de café e pelo boom do produto no mercado internacional, fica para trás e abre espaço para o ressurgimento de um velho produto reconceituado: o chá. Acredita-se que as primeiras sementes foram trazidas em 1935 pelo imigrante Torazo Okamoto, desde então o produto se consolida e ganha espaço no mercado. No Brasil, ocorre agora com o chá o mesmo que aconteceu com o café: um aumento constante na demanda por produtos especiais e gourmets. 

 

     O chá foi ganhando cada vez mais espaço dentro do mercado internacional e no volume de exportações. Segundo o relatório da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International, o chá, hoje, é a bebida mais consumida no mundo. O “The Observatory of Economic Complexity” indica que o produto ocupa a posição 384° dentre as mercadorias mais exportadas e importadas no mundo.

 

     Howard Telford, analista sênior de bebidas da Euromonitor International, atribui a ascensão da demanda no comércio internacional à versatilidade e resiliência do produto. O chá é uma mercadoria muito eclética e diversa, serve para muitos fins, desde hidratação, até fonte de energia funcional e saudável. As pesquisas da Euromonitor ainda indicam que dentre os tipos de chá, o verde é o que mais se destaca. Entre 2003 e 2016, essa categoria aumentou 2 pontos percentuais na participação do comércio internacional.

 

     O fato vem ocorrendo  à medida que pesquisas acadêmicas indicam o chá verde como um produto benéfico para a saúde, como, por exemplo, seu poder em reduzir o colesterol. Com o crescente aumento de consumidores preocupados com a saúde, o chá verde e suas versões estarão em constante crescimento.

 

     Hoje, o Brasil, segundo o Observatory of Economic Complexity, ocupa menos de 1% das exportações totais do chá, o que pode indicar um potencial de crescimento no setor por conta da pouca exploração brasileira. Desse total de exportações 73% são destinados aos Estados Unidos, que, em análise do Trade Map Organization, é o país que mais cresce em quantidade de exportações do chá. 

 

    Entretanto, a Apex Brasil aponta o Uruguai como outra opção viável e próspera. Já que, os produtos brasileiros já estão bem posicionados e estabelecidos no país, enquanto têm uma situação confortável em relação aos seus principais concorrentes. A estratégia dos exportadores é a manutenção desse espaço já conquistado. O principal concorrente do Brasil, no Uruguai, é a Argentina, e mesmo assim, dados de 2016, indicam que a mesma conta somente com 1,38% do volume das exportações. 

     Os dados do Observatory of Economic Complexity ainda indicam o Paquistão,  Rússia e Reino Unido como grandes importadores de chá, que somados aos Estados Unidos correspondem a mais de um quarto do volume de todas as importações do produto. Enquanto entre os maiores exportadores destaca-se a China, Sri Lanka e Índia, que juntos são responsáveis por quase metade do volume de exportações no mundo.

     Em suma, o chá, um dos produtos mais antigos a serem comercializados no mundo, ganha cada vez mais espaço no mercado internacional. A sua reinvenção, atribuída ao crescimento da demanda por produtos saudáveis, em que se destaca o chá verde, assim como a sua resiliência e versatilidade fazem com que, de uma forma, ou de outra, sempre haja um lugar para esta mercadoria na cesta do consumidor internacional. 

Fontes:

Acesso em: 21/09/2018

https://bit.ly/2DWCpNR

https://bit.ly/2P6rEcX

https://bit.ly/2BOEycH

https://bit.ly/2CXzuzR

https://bit.ly/2RlMmah

https://bit.ly/2O41xqQ