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Cerveja artesanal: um mercado em ascensão

Por Lara Alves 26/07/2017

  • Ascensão do mercado cervejeiro pelo mundo;

  • Mercado consumidor abrangente;

  • Reconhecimento de cervejas artesanais brasileiras pelo público internacional;

  • A internacionalização como fator primordial para o crescimento da produção de cervejas artesanais;

  • Como se internacionalizar.

    No Brasil, a partir do final da década de 1980, começou a ganhar espaço um segmento muito promissor para empreendedores com boas ideias e capacidade de execução: o Craft Beer, ou cerveja artesanal, em português. Os empresários que investem capital nesse tipo de mercado não têm medo de competir com grandes empresas do ramo, visando espaços deixados em nichos de mercado específicos, como pubs, bares especializados e até franquias.

 

     De acordo com o jornal Folha de São Paulo e com a Associação Brasileira de Bebidas, hoje, no Brasil, as craft beers representam aproximadamente 0,5% do mercado nacional de cervejas, número considerado baixo quando comparado a mercados mais maduros, como Estados Unidos e Chile, onde a participação destas chega a 9%. Mesmo assim, as expectativas são boas: de acordo com dados de 2016 da Associação Brasileira de Bebidas, nos próximos 10 anos, a participação das microcervejarias deve dobrar no mercado nacional.

 

     O atual crescimento das classes A e B[1], principais consumidores desse tipo de cerveja, levou a produção a um salto impressionante: de 8,2 bilhões para 13,4 bilhões de litros anuais, segundo dados do Sistema de Controle e de Produção de Bebidas da Receita Federal (Sicobe). Enquanto a classe C consome as grandes marcas, as classes A e B buscam elementos de diferenciação. O consumidor, cada vez mais exigente, busca explorar novos sabores e experiências. Essas cervejas “super premium", como também são conhecidas, contaram com um aumento de vendas de 20% no ano de 2011, contra 3% do mercado geral de cervejas.

 

     O público das cervejas artesanais é majoritariamente masculino, com idade entre 18 e 65 anos, já as mulheres que a consomem têm entre 30 e 65 anos. Essa variedade dos produtos está alterando o padrão de consumo e, assim, as escolhas do consumidor, que está optando por beber menos, porém melhor. E para isso, as cervejas artesanais têm mostrado melhor custo-benefício, segundo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) Inteligência Setorial.

 

      Na hora de abrir um negócio ou uma franquia, o empreendedor deve perceber que é preciso estudar o público e ver qual o padrão de consumo para, nele, basear suas apostas e, a partir daí, inovar a fim de despertar o interesse para seu produto. No caso de um franqueado, é importante lembrar que, em geral, não há fôlego para desbravar novos gostos. Para isso, vale circular pela região, observar os hábitos e a cultura dos moradores, bem como conversar com pessoas que já tenham negócio na área.

 

     Esse tipo de conhecimento têm garantido conquistas para o mercado internacional em feiras e festivais ao redor do mundo. Desde 2007, 126 cervejas brasileiras receberam medalhas no exterior em competições como a World Beer Cup, o World Beer Awards, o Mondial de la Bière, o International Beer Challenge, a European Beer Star, o Australian International Beer Awards, a Copa Cervezas de América e a South Beer Cup. São 76 ouros, 94 pratas e 134 bronzes.

 

   Esses fatores combinados impulsionam a ideia de se internacionalizar e alavancar o mercado de uma vez por todas[1] [2]. A internacionalização é importante, pois além de aumentar as vendas, o empreendedor expande seu mercado consumidor, se dinamizando às culturas, podendo formar filiais, entre outros. Nos EUA, por exemplo, só no ano passado, foram abertos 409 negócios relacionados às cervejas artesanais, e as estatísticas continuam a subir[3] [4]. Observando esse caso, constata-se que ainda há países com um mercado efervescente e cheio de espaço para novas empresas, influenciando, portanto, novos negócios.

 

      Existem inúmeras maneiras de se internacionalizar como microcervejaria; a licenciatura da marca e suas receitas são essenciais de se fazer nos países em que o empreendedor pretende exportar. Podem ser feitos projetos colaborativos entre empresas do mercado (não somente no âmbito de bebidas, mas também no setor alimentício - para criar novos sabores), assim como jogadas de marketing podem ser feitas por meio de aplicativos,  feiras e festivais do setor.

 

       Apostar em uma franquia, ao invés de um negócio novo, também pode ser considerada uma opção. Isso, pois, além de obter suporte da empresa franqueadora, o empreendedor começa seu negócio com um produto que já tem aderência no mercado; inclusive, inovações de franquias ― como, por exemplo, parcerias com microcervejeiros para a venda de produtos com rótulos especiais ― podem impulsionar os negócios  do  franqueado.

    O mercado de cervejas artesanais está em crescimento e é impulsionado pela tendência de valorização da sensorialidade e a busca pelo prazer no consumo. Esse aspecto favorece também a análise do custo-benefício feito pelo consumidor, que é refletido pelo lema “beba menos, mas beba melhor”. Ao que parece, cada vez mais populares, as cervejas artesanais têm um futuro promissor pela frente.

[1] Classe A1: inclui as famílias com renda mensal maior que R$ 14.400 (U$D 4.577), Classe A2: maior que R$ 8.100 (U$D 2.574), Classe B: maior que R$ 4.600 (U$D 1.462), Classe C: maior que R$ 2.300 (U$D 731).