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A Importância do trabalho social

 

 

Por Matheus Santos  22/10/2018

 

     No mês de março de 2007, nascia em Salvador um projeto inovador. Trata-se do jornal Aurora da Rua, que tem como objetivo, justamente, retratar as auroras dos moradores de rua. Nesse processo, a venda é feita exclusivamente pelos mesmos - os quais também participam da criação do conteúdo do jornal por meio de oficinas de escrita e de arte. Ao final, dois terços do preço da venda do jornal fica para os moradores e o resto é revertido para os custos e eventuais manutenções das publicações. Desde então, o programa conseguiu parcerias como o International Network of Street Papers (INSP), instituição internacional que reúne mais de 114 jornais e revistas de rua em 35 países, nos seis continentes; além de prêmios pela execução gráfica e diversos assinantes país a fora. Entretanto, este é apenas um exemplo de diversos programas de cunho social no Brasil e no mundo, cujos resultados provam que o trabalho social é, não somente uma ferramenta de ajuda ao próximo, mas também uma forma de desenvolvimento social e enriquecimento pessoal.

     Grande parte de tal progresso individual, por sua vez, deve-se ao fato de adquirir novas experiências. Sendo assim, é coerente afirmar que ir atrás de experiências por conta própria catalisa esse processo. Logo e, não por acaso, o trabalho social está extremamente vinculado com o voluntariado. Para elucidar melhor esse conceito, é cabível resgatar a lei 9608/98, que diz que trabalho voluntário é toda “a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou a instituição privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência à pessoa.”

     O trabalho voluntário promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) é um exemplo amplamente dissipado. Os voluntários da ONU começaram a participar de missões de paz promovidas pela instituição em 1992, quando mais de 700 voluntários foram mobilizados em Camboja para supervisionar o primeiro processo eleitoral do país.  Desde este momento, causas importantes foram adotadas por outros voluntários, como a alfabetização de ex-soldados de guerra, em Moçambique, no ano de 1993; o fornecimento de alimentos e medicamentos básicos para refugiados em Kosovo, após o conflito no país, em 1999. Estes são apenas alguns exemplos de trabalhos voluntários que fizeram a diferença na vida de milhares de pessoas.

     Ainda sim, o trabalho social não se limita apenas ao terceiro setor. Atualmente, os chamados negócios de impacto são exemplos disso no mundo business. Agora, olhando para o Brasil, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entende-se por negócio de impacto (ou negócios sociais) as “iniciativas financeiramente sustentáveis, geridas por pequenos negócios, com viés econômico e caráter social e/ou ambiental, que contribuam para transformar a realidade de populações menos favorecidas e fomentem o desenvolvimento da economia nacional”. De acordo com o próprio Sebrae, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), já são mais de 800 negócios de impacto social no Brasil. Um exemplo de sucesso do empreendedorismo social nacional é a “Politize”, a qual incentiva ações de educação e política Brasil a fora, e cujas ações já contam com mais de 14 milhões de usuários e mais de mil conteúdos educativos em formato de podcasts, infográficos, vídeos, etc. Porém, este é apenas um dos diversos negócios possíveis de serem citados - tais como a Artemisia, Terra Nova, EBES, Solidarium, Saútil, Aoka, entre outros.

     Por outro lado, é importante destacar que esse trabalho filantrópico, por vezes, acaba perdendo seu sentido. Recentemente, o cantor “Nego do Borel” foi duramente criticado nas redes sociais por utilizar o chamado pink money - isto é, apropriar-se da sociedade LGBT, e seu poder de consumo para com temas que os contemplem, como meio de lucro para sua carreira, sem se importar, de fato, com as causas sociais do movimento - visto que, no clipe da música “Me Solta”, o cantor representa uma gay afeminada, além de beijar um homem. No entanto, Nego do Borel é heterossexual e compactua com personalidades cujos posicionamentos são contrários aos da comunidade LGBT - como, por exemplo, Jair Bolsonaro, o qual já apareceu em fotos junto com o cantor em redes sociais. O caso é análogo ao que acontece com as ONGs. Por exemplo, em 2010, a revista britânica especializada em medicina, The Lancet publicou, em editorial, uma crítica às agências internacionais de ajuda humanitária no Haiti. Segundo especialistas da revista, as ONGs estariam preocupadas demais com o tamanho da cobertura da imprensa e no trabalho de marketing em cima disso. Além disso, como é corriqueiro na política brasileira, casos de desvio de dinheiro também envolvem entidades de cunho social. O caso da expulsão de Orlando Silva do Ministério do Esporte, por desvio de verba pública, elucida esse tipo de caso.

     Todavia, dada a exigência da sociedade por políticas públicas, além de uma maior atenção do Estado para com as necessidades do indivíduo - educação, moradia (e a regulamentação da mesma), alimentação, higiene, saneamento básico, etc - é cabível dizer que o trabalho social entra como um grande protagonista no cumprimento dessas ações. Por conta disso, apesar de existirem ressalvas que acabam por deteriorar a imagem e o compromisso daqueles que praticam o trabalho social, estes serviços e seu potencial acabam por ser, majoritariamente, superiores a tais aspectos negativos; de tal forma que, no final das contas, a ação acaba por transcender-se em um desenvolvimento/enriquecimento pessoal, não somente para quem o faz, mas também para quem o recebe.